A Revista Veja.

Parece notória contradição o que vou escrever: acredito muito pouco nas reportagens escritas pelos jornalistas da “Revista Veja”, mas teimosamente sou um de seus assinantes. Foi lá pelos idos de 1.976, quando eu morava na cidade de Umuarama, que o então Prefeito Municipal da época foi denunciado por ter autorizado o uso de maquinário pesado do Município, para permitir que em uma fazenda particular, de município vizinho, fosse feita a terraplenagem de terreno para pouso de pequenas aeronaves.

Um Decreto-lei editado no tempo da Revolução de 64, para coibir o  uso indevido de bens públicos punia os Prefeitos que infringissem essa legislação com a perda do respectivo cargo. E por ser época que antecedia as eleições, referido “crime” teve repercussão nacional e mereceu reportagem de destaque na aludida revista semanal.

Com certeza  por motivação política o enfoque da notícia versou mais sobre a peruca usada pelo Prefeito, para ridiculariza-lo perante os eleitores, do que a autorização indevida do uso de bens públicos. A legislação era tão severa que o simples recebimento da denúncia ensejava de pronto o afastamento do Prefeito, do cargo.

O jornalista que escreveu a matéria atingiu seu objetivo porque o grupo político contrário ao Prefeito afastado foi quem ganhou a eleição. Fiquei indignado pelo absurdo da reportagem, face à sua tendenciosidade. Apenas para esclarecer: no processo instaurado o Prefeito afastado foi absolvido.

A pista de pouso em questão fora improvisada no Município vizinho, em uma fazenda particular, para atender pedido de a Casa Militar do Governo do Estado para que o avião do Governador, que estava acompanhado de um Ministro de Estado, pudesse aterrissar no local para que as autoridades cumprissem  agenda oficial.

Portanto o emprego do maquinário não foi para favorecer o proprietário da fazenda. Sei destes detalhes porque a denúncia foi de minha lavra, na condição de Promotor de Justiça de Umuarama. Desde então nunca mais acreditei na seriedade das reportagens publicadas na “Veja”. Continuo lendo para refletir sobre o conteúdo jornalístico, separando o joio do trigo.

E não tem semana que não tenha inverdades. Não entro no mérito: tempos atrás a revista publicou reportagem, que mereceu chamada na capa, dando conta dos advogados que enriqueceram com os polpudos honorários cobrados para defender os réus da Lava Jato e outros políticos envolvidos em falcatruas. O que tem isso de importante para merecer tamanho destaque?  A verba honorária cobrada por Advogado corresponde ao valor contratado pelo trabalho profissional prestado ao contratante. Se for um Real ou milhares de Reais, ninguém tem nada com isso.

Não existe nenhum crime ou contravenção que possa traduzir censura punível. Muito menos indecência capaz de levar o Advogado perante o Conselho de Ética da OAB. Óbvio que a reportagem teve outra intenção, a de expor e denegrir a imagem da Advocacia perante a opinião pública.

Se não fosse por esse motivo por que não houve reportagens idênticas para apurar os honorários cobrados pelos médicos quando atenderam a Dilma, o Lula e mais recentemente o Temer?  Claro que não é assunto que interessa há ninguém e nem vende revista, salvo se mostrassem os médicos gastando seus honorários como verdadeiros sultões do planeta!

Portanto, infelizmente, as revistas como a imprensa em geral não deve merecer muita  credibilidade, porque não existe seriedade dos jornalistas e nem estes não se deixam trair pelas suas ideologias e cores partidárias. Convém sempre confiar, desconfiando...


“A Imprensa brasileira tem jornalistas sem nenhum compromisso com a verdade.  Pobre opinião pública. Pois num país como o nosso, cabe sempre, ao deparar com qualquer notícia ou reportagem: confiar, desconfiando!
Edson Vidal Pinto

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