Minhas Crônicas.

Parece compulsão para escrever crônicas, esta é de número 485 que escrevi ininterruptamente desde o mês de setembro do ano que passou. Sei que muitas delas foram sofríveis e outras tantas sem graça, mas não perdi a vontade de usar da imaginação e exercitar meu cérebro de aposentado, para não embotar.

Na verdade sempre escrevi com intenção de despertar no leitor o gosto pela crítica e reflexão, embora quando do exercício de minhas atividades profissionais, principalmente na Magistratura, nunca ousei publicar minhas opiniões pessoais e nem tecer comentários políticos que pudessem me impedir de judiciar.

Eticamente sempre me dobrei a máxima de que ao juiz é vedado opinar e publicamente falar, salvo para cumprir o seu papel institucional sem transbordar os limites do bom senso. É por isso que me assustam os pronunciamentos obtusos do Gilmar Mendes e de alguns de seus colegas de  Tribunal, que falam pelos cotovelos e comprometem a honradez da Toga.

Eu mesmo, no exercício de minha atividade pública como Promotor e depois Procurador de Justiça, nunca excedi em nenhuma das minhas crônicas então publicadas no Jornal do “Estado do Paraná”, que pudesse me impedir o exercício de minhas atividades profissionais. Jamais mencionei e nem de longe referi há qualquer fato ou nome de algum político, agente público ou governante que participasse da vida pública.

Sempre procurei resguardar ao máximo a história de minhas instituições e zelar pelos seus prestígios. Só depois que me aposentei é que me desobriguei dessa norma de conduta. Claro que hoje escrevo com responsabilidade, mas como não tenho nada para esconder e nem devo a ninguém o que sou, tenho e faço, estou à vontade para criticar ações e erros cometidos por homens públicos pelas suas mediocridades e condutas reprováveis.

Não nego que às vezes me deixo trair pela minha fértil imaginação, principalmente quando nas minhas crônicas eu “invento” encontros com amigos imaginários e com eles mantenho diálogos abordando assuntos do momento. Eu me divirto depois que escrevo, sem saber se o mesmo ocorre com o leitor.

Enfim, vou continuar contando neste espaço de “O Dia” minhas crônicas, só espero que haja alguma receptividade e que sirva de algum modo para despertar nas pessoas o respeito pelas Leis e a Justiça. Só assim o Brasil será viável...

“Sou mero cronista do cotidiano, nada mais. Tenho responsabilidade pelo que escrevo, porque como cidadão não posso ser leviano. Só espero ser bem interpretado e justo”.
Edson Vidal Pinto

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