Passarinho na Gaiola.

O tempo passa, o tempo voa, nem a Caderneta Bamerindus  continuou numa boa; pois literalmente “faliu”. A marcha do tempo é inexorável, a modernidade impulsiona exageradamente o relógio e faz com que os momentos se sucedam com uma rapidez vertiginosa. Parece que amanhece e anoitece com um piscar de olhos.

O novo de hoje é velho amanhã e esquecido depois de amanhã. Vale dizer: nada dura para sempre. A novidade é exigida e esperada por uma sociedade consumerista. Todo o dia nasce um ídolo, um líder, um gênio e no dia seguinte estes são substituídos, sem prazo de validade. Ninguém se sustenta no topo da pirâmide da glória, por muito tempo.

Esta é uma regra que permite uma única exceção. Pelo menos em nosso país. Só quando a pessoa entra em um mundo escuro, cercado de muros e grades na janela que o tempo engatinha, vagarosamente, quase parando. Este lugar chama-se: prisão! Imagine perder a liberdade, o direito de ir e vir e ficar enclausurado, sem respirar o ar da liberdade.

E cá entre nós, a situação fica ainda pior quando o castigo imposto pelo Estado é para ser cumprido em nossa República de Curitiba. Sim, nos dias de intenso e cortante frio, justamente quando o condenado se vê privado das benesses da mordomia, das viagens de jatinhos emprestados, de ser paparicado e não poder agitar a vida nacional com comentários obtusos.

E para piorar alimenta o  sonho de uma candidatura visionária. Claro que estou falando de Luiz Ignácio, que tem tempo suficiente de fazer um risco bem caprichado na parede de sua cela improvisada, marcando com cada um deles os dias que estão custando passar. Hoje, no seu ábaco improvisado, são sessenta riscos feitos com muita raiva.

É verdade: Lula está preso há dois meses. Para ele com certeza o tempo está patinando e custa a passar. Quer pior castigo? Tudo pela ganância do enriquecimento fácil e pela falta de um pingo de honestidade. E pensar que muita gente duvidou da sua prisão.

A propósito, ontem o Marco Aurélio, aquele que está entalado no STF, pautou os julgamentos da Gleisi e de seu marido. Será que teremos dentre poucos dias, dois pombinhos em mais uma gaiola? A fila anda e como é do conhecimento de todos: ela é interminável!

“Perder a liberdade de ir e vir é o pior castigo para qualquer ser humano. Não é da natureza de ninguém ver o tempo passar e sentir a monotonia a todo instante”.
Edson Luiz Vidal Pinto

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