E Se a Vitima Fosse Outra?

Os políticos profissionais degradaram tanto a política que é difícil saber quem é quem, neste cenário tão sórdido. De outro viés, ninguém de bom senso, pode ignorar que somente através da política é possível encontrar saída para a crise brasileira.

Parece um contrassenso; que na areia movediça em que estão atolados os partidos políticos, uma pessoa de bem que queira dar sua contribuição  para o país, tenha que obrigatoriamente adentrar numa sigla partidária sem regras e nem princípios. Este é o jogo do certame eleitoral, sem contar o dinheiro que serve de indispensável combustível para cooptar cabos eleitorais e enormes gama de prefeitos e vereadores.

Só sai vencedor da disputa, sem ter dinheiro, àqueles que são personagens públicos que povoam o imaginário das pessoas. Dentre estes estão incluídos, também, os tipos folclóricos de ocasião.

E enfrentar uma campanha política exige dos candidatos um séquito de pessoas para assessora-los, paciência de Jó, preparo físico e vontade. Sair nas ruas é uma das exigências, sem contar que os marqueteiros querem que o candidato tire fotografia com criancinhas no colo, almoce em restaurantes populares e visite escombros de um Museu sinistrado, para sofrer constrangimento público.

E participar de debates é um martírio para uma pessoa bem intencionada travar disputa de opiniões com  opoentes mentirosos, raivosos, agressivos e intelectualmente primários. É ser protagonista de um espetáculo que exige muito equilíbrio e sangue-frio. Sem contar em ter o rosto exibido em propagandas, o nome muitas vezes vilipendiado e a vida particular vasculhada.

Esta a sina para qualquer homem de bem se sujeitar quando tem a intenção de exercer a cidadania para ser votado. E da omissão dos bons, aproveitam as velhas raposas da política que não têm nada a perder. As exceções podem ser contadas pelo número de dedos das mãos.

E com o ódio disseminado por figuras conhecidas que usam dos cargos políticos para defender interesses ideológicos e pregar violência, as disputas deixam o campo das ideias para ingressar no mundo do crime.

O atentado ao candidato Bolsonaro nada mais foi do que o resultado do ódio que contaminou os habitantes do país, quase sempre pessoas humildes usadas como massas de manobras pelos demagogos, e capazes de gestos tresloucados. Ingrediente que faz da atual política brasileira um barril de pólvora.

E se a vítima do atentado fosse alguém da esquerda? O dia seguinte teria sido igual? O MST, os Sindicatos, a CUT, o Vaticano, o Conselho de Direitos Humanos da ONU permaneceriam silentes, sem manifestação nas ruas das cidades, acreditando passivamente que foi um gesto isolado de um insano? Não sei, e você? 

“A ideologia cega às pessoas e incita a violência. Dividir para incutir ideias é manobra comum, usada pelos falsos líderes para tomar o Poder. E o povo brasileiro está dividido e a violência presente nas ruas. O voto é a única arma para combater o bom combate!”
Edson Vidal Pinto

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