Ida e Volta de Paranaguá.

Não gosto de viajar para o litoral quando tem um feriado prolongado, mas ontem como minha irmã estava fazendo oitenta anos de idade, tive motivo especial e desci para almoçar com a família.

E a família de minha irmã e do meu cunhado é relativamente grande: cinco filhos, nora, genros, netos, bisnetos, agregados e fora os amigos convidados para abrilhantar a festa. Foi uma comemoração emocionante. Como a minha diferença de idade com minha irmã é de sete anos, ela sempre foi minha protetora, exemplo, estrela guia e minha segurança. Mesmo depois de adulto, esta condição que nos une, continua imutável.

Ela foi educadora e fez do Magistério seu apostolado; meu cunhado, médico, humanitário, exerceu a medicina  por mais de sessenta e cinco anos na região, e atendeu gratuitamente os moradores mais humildes dos povoados de pescadores das baías de Paranaguá e Antonina.

Tive horas de ótima conversa com o Dr. Carlos Eduardo Lobo, destacado e conceituado cirurgião, colega de meu cunhado, quando então relembramos episódios bons e ruins de alguns homens e mulheres que fazem a fauna da politicagem paranaense. 

Não conto nenhum fato e nem dou o nome de qualquer destas figuras, porque foi uma conversa entre amigos e como tal deve ser mantida em segredo. Mas confesso que demos muita risada, num ambiente alegre e descontraído. Pena que quando o sol começou a perder seu brilho, o que estava ótimo, acabou. Eu e minha mulher voltamos de carro para Curitiba. Meu Deus como os motoristas na rodovia não têm amor à vida e a integridade física de ninguém; nem a sua, de sua família ou de terceiros.

Eu dirigi dentro da prudência, atento às placas de sinalização e nos limites de velocidade permitida. E mesmo quando o velocímetro de meu carro atingia a velocidade máxima permitida, era ultrapassado sem nenhum problema por motoristas que dirigiam de maneira incompatível e criminosa. E na subida da serra, em pista tríplice, os motoristas de caminhões se digladiavam para saber quem cometia manobras mais inconsequentes e ultrapassagens mais arriscadas. Sem contar as enormes camionetas que mais parecem lotação antiga, de tamanho grotesco e motores de trator.

Acho que um motorista de uma nave quase especial como estes veículos, deve se sentir o dono das ruas e das estradas, com olhar superior e achando que a preferência lhe pertence. E o pior: uma camioneta para cinco, seis, sete ou oito lugares serve, muitas vezes, para o seu dono, um ou no máximo dois passageiros.

Tem tanta lei neste país, que os proprietários destes “Tormentos mecânicos” deveriam pagar o triplo do valor de um IPVA de um veículo normal; nos estacionamentos de Estar, pelo menos R$10,00 cada quinze minutos, e nos estacionamentos pagos R$ 100 a hora.

E nos prédios de apartamentos a Convenção dos Condomínios deveria proibir que camionetas ocupassem as vagas de garagens, salvo se estas fossem construídas com dimensões próprias quando da edificação do imóvel.

A exceção à regra seria apenas para os proprietários de camionetas que fossem donos de imóveis rurais, de circo, de motoristas com altura individual superior a dois metros ou chefe de família como meu cunhado, com no mínimo cinco filhos. Ditos veículos atentam contra tudo e contra o bom senso de todos.

Pronto, escrevi tudo isto para mostrar que abomino veículos de dimensões exageradas, banidos a muito tempo do Velho Continente. Putz, se eu fosse candidato a Senador, com certeza nunca seria eleito...

“Dirigir uma camioneta de dimensões exageradas é o mesmo que andar com um tanque de guerra nas ruas e rodovias. É uma arma de destruição letal. Quem dirige uma deve se sentir o próprio Senhor dos Mundos!”
Edson Vidal Pinto

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