Edson Vidal

Historinha de Domingo.

Mal clareou o dia Roberto Antônio, acadêmico de jornalismo da Universidade Federal de Brasília, levantou da cama, foi ao banheiro, tomou um copo de leite, comeu bolacha Maria, vestiu-se e saiu em disparada pela Asa Norte até a reunião do PCB.

Não poderia faltar porque era uma reunião extraordinária do partido a fim de estabelecer a melhor forma de “resistir” contra o futuro governo opressor do Capitão. Ele era membro ativo e acreditava piamente nos dogmas do socialismo de Marx.

Chegando à sede do partido encontrou na porta de entrada o seu inseparável amigo Tibúrcio Ribeiro, um zeloso porteiro de prédio que fora formado numa das últimas turmas do Mobral:
- Hoje a reunião vai ser de arromba - falou Tibúrcio - pois a Benedita vai presidir...
- E o Haddad?
- Ele está com a esposa em Nova York, descansando da disputa eleitoral.
- Logo lá? Por que ele não foi para Cuba ou Venezuela? - ponderou Roberto Antônio.
- Sei lá, acho que ele gosta de sofrer...

E logo em seguida os dois amigos e “companheiros” entraram na sala de reunião. Ela estava lotada, não tinha lugar nem para uma única mosca. Os vinte e cinco lugares da plateia estavam preenchidos e tinha umas doze pessoas sentadas nos corredores. Roberto Antônio e Tibúrcio Ribeiro não tiveram sorte e ficaram em pé, próximos da porta do auditório.

Foi a Benedita que abriu a sessão:
- Camaradas: viram quantos generais vão ocupar os ministérios?

Viram, com certeza, pois ninguém é cego. Estamos $&@&$ (palavrão)!
- E mal pagos! - completou o Dirceu, que estava na plateia.
- Pois é, precisamos de uma linha de atuação para desestabilizar o governo. Não basta apenas dizer que vamos “resistir” é preciso agir: alguém tem uma ideia?
- Eu tenho uma - falou o Dr. Rosinha, que é do PT, mas estava dando uma de intrometido no partido dos outros - Que tal se a gente sequestrar a Marina?
- A companheira Marina?- indagou Benedita sem entender o porquê.
- Sim, ela mesma ...
- Explique, Dr. Rosinha; pois não entendi no que o sequestro da Marina possa desestabilizar o governo do Bolsonaro!

Todos olharam em direção daquele que perguntou e viram que tinha sido o Requião, sentado anonimamente na plateia, com cabelo pintado de branco, óculos escuros, blusão de couro, segurando as rédeas de um cavalo pintado de branco e que só foi reconhecido porque carregava sob o braço esquerdo um volume do livro “Pacto de Puebla”.
- Simples - continuou o Dr. Rosinha - vamos dizer que o sequestro foi engendrado e executado pelo DOPS e vamos reclamar na ONU, para as ONGs de Direitos Humanos, para o STF, UNE, Sem Terras, Cut, Atlético Paranaense, FIFA, e todas estas “coisas” unidas vão exigir a renúncia do Presidente...
- A ideia não é de todo ruim - ponderou o Requião - só que o DOPS não existe mais, foi extinto...

A plateia toda lamentou e a sugestão não foi aceita. Foi então que Roberto Antonio, lembrando-se de suas aulas de Economia Política, pediu a palavra:
- Presidenta Benedita, me ocorreu uma ideia genial!
- Desembuche camarada!
- Nha Benedita, que tal se a gente fosse pedir um conselho para o Lula? Ele sempre tem boas ideias...
- Não! Não vamos incomoda-lo, ele está fazendo retiro! - disse uma galega que conhece muito bem o molusco.
- Que $&@&$ (palavrão) de retiro é esse?  - quis saber o Dirceu, com cara de zangado.
- Ele pretende postular o Papado, já combinou com o Francisco, e está jejuando para pagar todos os pecados a fim de poder ser elevado às Alturas! 

E a sugestão foi arquivada. Depois de dezenas de outras opiniões e estratégias nenhuma delas  foi aprovada.  Benedita sempre soberba encerrou a sessão. E tudo ficou na mesma; nenhuma sacanagem foi aprovada para torpedear o próximo governo.

Só ficou decidida que a próxima reunião do PCB vai ser no piscinão de Ramos, zona norte do estado do Rio de Janeiro. Só vai mudar a pauta do dia que terá como tema: o socialismo e a arte de ser corrupto sem a possibilidade de ser preso.

O palestrante escolhido por unanimidade será a Chico Buarque, pois ele é o único capaz de jogar @&$&@ no Bolsonaro. Pois na Geni ele não erra nunca...

“É bom contar história de vez em quando. Principalmente no domingo. Ela serve para distrair e matar o tempo. E criar uma história é muito gratificante, principalmente quando existem mil personagens disponíveis para serem lembradas!”
Edson Vidal Pinto

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