Edson Vidal

Os intrincados Problemas da Vida Pública Brasileira.

Ser Presidente do Brasil não é tarefa nada fácil, não basta apenas à pessoa querer e achar que tem aptidão para administrar se não conhecer minimamente a extensão da Administração Pública, suas mazelas, o custo de sua manutenção e os meandros corporativistas do chamado funcionalismo públicos.

Ademais, tem que ter uma visão superficial da área de Economia, sem ter a obrigação de conhecer a mesma com profundidade, mas saber ao menos do quanto se arrecada e gasta no final de cada mês, para fechar a torneira do desperdício. Também é importante conhecer sobre concessões públicas,  para destrinchar os seus graves problemas, a fim de permitir o progresso do país.

É sobre este último enfoque que faço o tema desta crônica. Ontem à noite, na Associação Comercial do Paraná, o Conselho Político daquela entidade, presidida pelo engenheiro Mário Pereira, tendo por parceiros o Movimento Pró-Paraná e o Instituto de Engenharia, convidaram o eng. João Arthur Mohr, para palestrar sobre “As Ferrovias do Brasil”.

A exposição feita foi didática e trouxe à tona um tema relegado pelos governantes. Tentarei abordar palidamente dois pontos que são estarrecedores. O primeiro: o Brasil com toda a sua extensão continental tem apenas 38.000 quilômetros de linhas férreas, sendo que metade delas está sucateada. E o segundo: os trechos das linhas em uso são explorados por empresas privadas, através de concessões públicas. E quem detém parte destes trechos não permite que outras empresas possam utilizá-los, a título de “servidão de passagem”. 

Portanto, cada trecho concessionado tem nos limites de sua linha férrea o número exato para preencher seus vagões, tanto para transporte de cargas, como de passageiros. Vale dizer, a empresa “dona” de cada trecho, é autossuficiente e não precisa de novos trilhos porque economicamente tem o ganho garantido para poder operar sem investir.

Está aí um dos motivos pelos quais o modal ferroviário é insignificativo para a economia nacional. Não foi abordado, mas não se pode ignorar, também, que outra causa principal é o monopólio das montadoras de veículos que priorizam os transportes rodoviários, obtendo do Governo, as fórmulas indispensáveis para os financiamentos de seus produtos.

E as rodovias é que sugam os parcos recursos de um erário público quase falido. Ora, ninguém ignora que os valores dos fretes dependem da concorrência entre caminhões e trens; sem estes a inflação se agrava. 

Esta é uma pequena amostra do quão complicado será colocar o país nos eixos. Muitos interesses estranhos estão em jogo, além é claro do Custo Brasil para se dimensionar o tamanho do buraco negro onde estamos metidos. Os problemas não estão apenas na cobrança exagerada dos tributos, nem na Previdência, em que um grande balaio de gatos que nunca contribuíram com nenhum centavo está usufruindo o direito de terceiros.

E quanto às áreas da Segurança Pública, Educação e Saúde estas podem muito bem serem administradas e encontrarem suas próprias saídas, se os próximos governantes escolherem pessoas certas e qualificadas para dirigi-las. E que os políticos permaneçam apenas nos parlamentos, afinal é o lugar certo para justificar o  porquê de terem sido eleitos. E para administrar o tamanho do imbróglio do país e dos Estados, as pessoas escolhidas pelos eleitores  têm que ter ética, credibilidade, tenacidade e muita saúde. Porque representará  os anseios legítimos de um povo sofrido e desesperançado...

“A dimensão territorial do Brasil impõe um modelo de estado confederado; permitindo que cada estado-membro da Confederação sobreviva pela sua própria economia. Claro que é utopia. Estados economicamente pobres jamais permitiriam esta fórmula, sem guerra fratricida. Nem a União, que rica, reina sobre um país pobre!”
Edson Vidal Pinto

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