Edson Vidal

Herança Maldita.

O retrato de uma realidade é facilmente exposto na vitrine quando os mais jovens temem pelo próprio futuro. Dias atrás, meu sobrinho-neto Pedro, ainda adolescente, que no próximo sábado retorna à casa dos pais em São Paulo, depois de ter estudado um período na cidade de Barcelona – Espanha pediu por telefone ao seu pai que este vendesse tudo que tinha no Brasil e fosse morar na Europa. 
- Por que, meu filho?
- Para sair do medo de viver intranquilo, da incerteza do amanhã, e para poder desfrutar de total segurança! 

Pois é; nesta pequena frase está a essência do que pensam os mais jovens, tanto morando fora, como, também, dentro do país. O Brasil está imerso no lamaçal da corrupção politica-administrativa, transbordando de há muito os limites de suportabilidade e esmagando o bom senso das pessoas de bem. País sem governo, dirigido por decisões elaboradas na calada da noite e ditatorialmente pela Suprema Corte, com a classe política apenas interessada em usufruir nababescamente dos Cofres Públicos e das propinas criminosas de empreiteiros ávidos pelo lucro fácil, têm sido fatores decisivos para o descrédito, a insegurança e a falta de esperança de melhores dias.

O Estado brasileiro é uma massa compacta, um elefante branco, hermético e com os olhos voltados para o próprio umbigo. O corporativismo de suas instituições levaram as mesmas a serem sepultadas em uma mesma vala comum. A licenciosidade no trato do sexo, a promiscuidade com que se tenta envolver  as crianças neste tema, a carência do ensino básico, a proliferação da ideologia utópica e a insistência de se estabelecer diferenças e barreiras entre pobres e ricos, negros e brancos, estão abalando os alicerces da República e corroendo as entranhas da democracia.

A desordem e o desamparo social, a falta de políticas públicas e de efetivo controle da natalidade, para evitar bolsões de miséria e a praga do assistencialismo estatal, também contribui para o caos de incertezas que a sociedade brasileira está atolada. Só resta mesmo dar às costas e morar em outro país, onde a pessoa possa ter a certeza de seu amanhã. Eis a triste realidade que minha geração vai legar àqueles que já estão pedindo passagem.

Com certeza somos culpados por tudo que está acontecendo, a maioria de nós foram submissos aos pais e complacentes em demasia com os filhos. Facilitamos tudo, fechamos os olhos, admitimos tudo sem oposição, brincamos de eleitores, engolimos as indecências e pactuamos com a licenciosidade. Construímos o país que aí está, com maus governantes, sem Segurança Pública, nem Saúde Pública e muito menos Educação de alto padrão.

Desculpe Pedro, pelo legado que seu tio-avô e outros de minha idade estão deixando para você e aos demais jovens brasileiros, porque não soubemos lutar e nem com o voto nas mãos expungir da vida pública as jararacas e víboras que estão aninhadas nos Três Poderes e que dos seus pedestais, debocham de nossas fraquezas... 

“Socorro! O Brasil está na areia movediça da Corrupção! É uma vergonha legar às futuras gerações um país desgovernado, sem ordem e nem progresso. Quem da minha geração não concordar, que atire a primeira pedra!”
Edson Vidal Pinto

Apoio