Edson Vidal

Como é Domingo: Outro Conto de Natal!

Há dois mil anos atrás, nos arredores de uma pequena povoação denominada Vila Pinto, então região desértica localizada à margem direita da Avenida das Torres, três reis magos de nomes Boleslau Sarney, Anfrisio Renan e Benedito Geddel aguardavam ansiosos o clarão de uma estrela que apontaria o lugar do nascimento do Bom Menino.

Eles vieram do oriente, montados em garbosos camelos, tendo dias antes desembarcados de um navio no Porto de Paranaguá. Enquanto os três soberanos perscrutavam o céu Curitibano, o lacaio de nome Luiz Ignácio trazido por eles do oriente cuidava dos camelos.

Eis que de repente avistaram ao mesmo tempo um clarão que surgiu lá pelos lados do Aeroporto Afonso Pena; era um facho de luz forte que aparecia e sumia, como que chamando a atenção dos três nobres.
- É a estrela cadente! (gritou Boleslau) Vamos segui-la!
- Sim!(responderam os outros dois)
- Luiz Ignácio traga os camelos depressa...

O lacaio prontamente atendeu a ordem, antes, porém, “guardou” na sua mochila de viagem o balde que uma moradora emprestou para dar de beber os animais. E sem delongas os três reis magos e o  fiel lacaio partiu em direção daquela estrela fulgurante. Seguiram em fila indiana bem no meio da rua, atrapalhando o fluxo de veículos, ouvindo impropério dos motoristas apressados, porém não tiravam os olhos daquela luz que apontava o lugar exato do nascimento do Bom Menino.

No trajeto percorrido apenas pararam sob a ponte estaiada, onde Luiz Ignácio fez xixi desenhado, em um dos pilares de sustentação. Depois disso só “freiaram” os camelos nas proximidades de um grande holofote do aeroporto, que servia de sinalizador para os aviões que se aproximavam para pousar.

A luz era desse farol imenso e não da estrela de Natal. O que fazer? Pensaram os três reis do oriente ao mesmo tempo, cansados e frustrados. Porém ouviram o choro de um recém-nascido, vindo de um barracão localizado nas imediações e resolveram averiguar. O barracão era de madeira de terceira, sem pintura, úmido e construído com o dinheiro da Cohab. Parecia mais uma manjedoura do que uma casa popular.

Dentro dele uma mulher humilde tinha dado a luz a uma criança do sexo feminino. O pai preocupado com o ambiente frio emprestou dos vizinhos alguns animais para que seus bafos pudessem aquecer o local. A criança não tinha roupas suficientes para aquecê-la. Seus pais não puderam comprar nada porque estavam desempregados e seprocados.

Quando os estrangeiros entraram no barracão, vestidos com roupas exóticas e turbantes, os pais da recém-nascida acreditaram um pouco mais no futuro. Até as vacas, os carneiros e os burros forçaram a respiração para melhor aquecer o barraco. Quando os três magos viram que era uma menina e não um menino, deram meias volta e saíram rapidamente do local. Seguiram uma forte luz que estava no céu, provavelmente de um avião que rumava em direção a Foz do Iguaçu.

E novamente seguiram aquele “aviso”  em fila indiana, ficando em último lugar o Luiz Ignacio. Lá dentro do barraco o pai da menininha estava preocupado porque estava faltando um carneirinho. Claro que não desconfiou de nenhum dos visitantes. Mas o que teria acontecido? E na caravana foi Benedito Geddel  que ficou com a pulga atrás da orelha, quando passou a ouvir que o camelo do Luiz Ignácio ao invés de “falar camalês”, de quando em quando repetia:
- Beeeee... Beeee... Beeee...
É o velho ditado: “Pau que nasce torto não tem jeito morre torto!” Não importa a ocasião e nem a história...


“O melhor conto de Natal é aquele que deixa uma mensagem de paz no coração das pessoas. Pena que nem sempre isso seja possível. Principalmente quando  a verdade supera a ficção!”
Edson Vidal Pinto

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